Quarta-feira, Julho 8

pilot episode- first draft-unrevised; Super Prosi- a screenplay by

As pessoas são umas chatinhas. Por isso é que eu prefiro andar sozinho. Um gajo quando está sozinho não precisa de inventar desculpas para ir ao quarto de banho. Basta a diarreia atacar e voilá, em direcção à retrete eu corro,eu corro. Um gajo pode dizer a um grupo de amigos que está com vontade de ir fazer bungee-jumping na terça-feira mas pode já não estar com paciência na quarta. Um gajo tem de arranjar uma desculpa, qualquer coisa convincente. "Morreu-me a família toda". Lá está, obrigam um gajo a mentir. Mas as mentiras são como as avalanches. Começam com um suspiro e acabam por enterrar multidões. "Vi o teu primo ainda agora". Engole-se em seco e mente-se um bocadinho mais. "Pois, esse não é bem da família, anda na droga". Mais tarde ou mais cedo vão perceber que lhes enfiei o barrete e nunca mais vão ter confiança em mim. Por isso é que eu evito ter relações de grande proximidade seja com quem for. Se um gajo se compromete seja com o que for não tarda tem de abdicar do seu verdadeiro estilo de vida para passar a desempenhar o papel do amigo dos outros. "Não me está a apetecer ver filmes do Ingmar Bergman". "Mas tu gostas de filmes do Ingmar Bergman, que se passa?". Não se passa nada! Simplesmente não estou com vontade de mergulhar de cabeça no universo peculiar de um existencialista sueco que não é propriamente o gajo mais bem disposto que existe à face da Terra. Tem sempre de haver uma razão para tudo e isso é que me fode o juízo. Um gajo não pode decidir olhar para o mar e sentir-se de bem com a vida. Tem de se ir a passar junto ao mar e, por acidente, olhar para o horizonte e então sim, fica-se inspirado. Este tipo de merdas não se podem planear. "Olha aqui a agenda, são nove e trinta e oito de vinte e seis de Julho, hora de fazermos amor, está na agenda". Agora? Acabei de fazer três sandes pecaminosas e ia ver o Madrid-Barça!!! Um bocadinho de compaixão caraças. A cena de ser heterosexual é que um gajo acaba sempre por optar pelo sexo. Nisso tenho inveja dos gays. Dificilmente se enganam um ao outro, são ambos mulheres. Mas nós ? A mulher abana o traseiro e diz-nos coisas picantes ao ouvido e deixamos as sandes e a liga espanhola a correr. É a verdade. As mulheres têm-nos na mão, é uma evidência. Eu sempre fui muito bom a falar com mulheres mas muito mau a tentar engata-las. Acho que as mulheres gostam de se sentir especiais e eu falo para elas como falo com homens. Não é qualquer atitude consciente de igualização politicamente correcta dos sexos. Não é isso. Para mim a mulher é claramente superior ao homem, não vale a pena tentar mudar isso com quotas. Estão a ver as comédias adolescentes americanas onde há sempre um gajo do tipo desportivo e um gajo do tipo "eu trato da minha avó doente, limpo-lhe o cu e tudo" e a gaja boa acaba sempre por ir parar aos braços do gajo sensível? Sempre achei isso uma injustiça. Em primeiro lugar porque o simples facto de gostarmos de desporto não faz de nós automaticamente trolhas. Em segundo lugar o gajo que limpa o cu à avó está sempre onde as coisas se passam. O gajo não é assim tão desinteressado quanto isso! Está tudo ceguinho? Anda atrás da febra como andam os outros todos. O mais certo é o gajo perder misteriosamente a sensibilidade e começar a bater na mulher. Acontece vezes de mais para não ser um padrão. A bem ou a mal as pessoas sabem mais ou menos o que podem esperar de mim. Não sei jogar o jogo da vida mas já ganhei tanto com isso como o que perdi ( inserir pedaço de texto emocional sobre como serei sempre honesto comigo próprio e as outras pessoas serem todas uma merda quando comparadas comigo).
A moral desta prosa :

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