Rock n´old
Não passo grande confiança à música popular nos dias que correm e uma das razões ( se não mesmo a maior razão de todas)é essa mesmo de ela ser uma absoluta merda. Alguém já passou os olhos e os ouvidos por uma dessas estações de televisão que passam video-clips ultimamente? Eu não tinha dado por ela mas estamos outra vez nos anos oitenta. Nos cabrões dos anos oitenta,acreditam nesta merda? De todas as eras que seriam passíveis de revisitação não são os anos oitenta o alvo mais lógico. Por uma horde infinita de razões de entre as quais se destacam a) a música era uma merda e b)a música era ainda bem pior do que aquilo que possam imaginar. Um dia vomitei atum misturado com chá verde e parecia que o Incrível Hulk se tinha derretido em pus à minha frente mas nada nos prepara para a imensa mérdice que foram os anos oitenta no que todas as facetas do conhecimento dizem respeito. A razão porque alguém há-de querer mexer nas recordações traumáticas que a mais pimbalhosa era do mundo moderno tem ancoradas no fundo do mar da nossa consciência passam-me ao lado. No que me diz respeito aquilo ficava lá, quietinho, uma figura de cera imobilizada na lixeira da década que nos ofereceu os Wham e o break dance ( não tem graça nenhuma, nenhuma mesmo, não tem gracinha nenhuma, podem parar que não tem graça nenhuma,é bater no ceguinho,parem lá com essa merda, não se parece minimamente com um robot, parece é o Mr Burns dos Simpsons a tentar fazer yoga, acabem lá com isso,por favor)...
Mas o mais triste de tudo é que isto não parece ser um movimento de gente nova à procura de novas sonoridades à custa da discografia dos tios trintões solteiros mas sim produto dos próprios tios trintões solteiros. Ora, isto é triste. Toda a gente sabe que o rock n´roll é para gente nova e que quando um gajo faz 27 entra na reforma. Não há nada mais deprimente do que ver pessoal de meia idade agarrado a um baixo a tentar arranhar uma música qualquer dos Pink Floyd num bar onde a cerveja sai sempre quente e no público só está a família. "A idade está na cabeça" dizem eles supostamente convencidos. Não está nada, na cabeça devia estar o cabelo e o juízo. Se estás calvo e a tua irmã mais nova já tem filhos talvez seja altura de admitir sem ressentimentos que não é no rock n´roll que te vais safar. Esse emprego nos seguros e aquela moça não muito bem parecida mas trabalhadora e mortinha por ter filhos que te faz olhinhos no bar às sextas à noite é que são o futuro. Há-de haver um dia em que te vais olhar ao espelho, rir-te e dizer ao som dos Smiths "não és o Jimi Hendrix, és o Homer Simpson". Vais engordar, com sorte os filhos saem à mãe e não se metem no álcool,e há-de sobrar algum dinheiro para passar um fim de semana em Compostela com a mulher e os filhos onde descobres que a libido se foi e os teus filhos te acham um palhaço constrangedor. Faz tudo parte do jogo. Ter uma família é nobre, é o que um gajo é suposto fazer e se fizermos figuras tristes a tentar cria-los em condições tudo é desculpável. Fazer cinquenta anos a tocar baladas em bares não só não contribui para o PIB como faz chorar as pedras da calçada, Não há nada mais deprimente no mundo.Com sorte a sobrinha há-de gostar desta merda e daqui a 15 anos vai remexer nos caixotes onde os Cd´s do tio ganham pó e há-de dizer às amigas "tinha um tio com pancada que tinha uma colecção de discos que nem te digo, tens de ouvir Telstar Ponies, Swell e Smog, merdas antigas que ele lá tinha guardadas, tudo do melhor". Preferia deixar-lhe 100 milhões de euros em dinheiro mas se lhe deixar qualquer coisa assim..talvez valha mais que todo o dinheiro do mundo.

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